Entrevista com Victória Sacagami e Larissa Elisa sobre uma visualização dos parques públicos cariocas.
Essa semana tivemos a oportunidade de entrevistar Victória e Larissa Elisa que realizaram uma visualização sobre os parques públicos cariocas.
Vocês poderiam contar um pouco da trajetória com visualização de dados e como iniciou o projeto?
A visualização de dados caiu de paraquedas em nossas vidas. Na época, estávamos cursando o curso de Comunicação Visual Design na UFRJ, quando surgiu a oportunidade de uma bolsa de Iniciação Científica, em uma parceria da EBA com o PROURB da FAU. Tendo como orientação a professora Lucia Costa, da FAU, e co-orientação, professora Julie Pires, da EBA, começou assim nosso primeiro contato com a visualização de dados.
Trabalho cartográfico desenvolvido pela Profa. Dra. Lucia Costa nos anos 1980.
O projeto inicial tratava apenas da atualização dos dados de um trabalho cartográfico desenvolvido pela Lucia Costa nos anos 80, que buscava mostrar possíveis correlações entre a distribuição dos parques públicos no Rio de Janeiro, com a população, renda per capita e data de criação dos parques. Conforme fomos desenvolvendo o trabalho, percebemos que apenas a cartografia não era o suficiente para contemplar tantas informações. Começamos então a buscar outras representações gráficas e nisso entramos no mundo da visualização de dados.
Uma das principais inspirações que encontramos foi a biblioteca D3, além do Wind Map (Fernanda Viégas e Martin Wattenberg) e Writing Without Words (Stefanie Posavec).
Vocês pensaram em fazer alguma versão interativa do projeto?
Nosso projeto, devido a sua complexidade, foi pensado para ser interativo. Como não tínhamos conhecimento em programação, a maneira provisória que encontramos para simular a interatividade consistiu na criação de um PDF interativo usando o Adobe Indesign. O PDF acabou sendo uma opção muito limitada. A todo momento tínhamos em mente que a solução ideal seria uma plataforma para web que facilitasse o acesso da população a esses dados.

Fonte: Behance do projeto
Como foi o processo de criação do projeto?

Primeira proposta de layout
O projeto consistiu, primeiramente, pela coleta e atualização dos dados. Compilamos dados referentes aos parques, seus respectivos tamanhos, localização, e dados sobre população e renda per capita das regiões do Rio de Janeiro.

Segunda proposta de layout
Após a coleta, geramos uma planilha que facilitou a análise dos dados. Com a ajuda do RAW Graphs, plataforma que permite inserir e visualizar rapidamente dados em escala, e após diversos testes, chegamos a um layout que agrupou todos os dados em uma única visualização. Por fim, desenvolvemos a simulação de uma interatividade, unindo o mapa à nova visualização.
Qual foi a maior dificuldade desse projeto?
Como queríamos compilar os diferentes tipos de dados em um gráfico só, nossa maior dificuldade foi essa. Estávamos lidando com dados sobre tempo, localização, quantidade de população e renda. Criamos diversos tipos de gráficos antes de chegarmos ao resultado final. Queríamos também que o gráfico remetesse de alguma forma ao tema, e assim, foi tomando a forma de uma árvore.
Além disso, a transparência de dados públicos é essencial para auxílio na compreensão por parte da população. Infelizmente, eles nem sempre são apresentados da melhor forma e de fácil acesso.
Quais dicas para quem está começando na área?
Seria bacana conhecer um pouco sobre as opções e funcionalidades de cada tipo de gráfico. O Dataviz Catalogue e o Dataviz Project são duas plataformas boas para isso. É interessante conferir também o trabalho de pessoas como Fernanda Viégas, Alberto Cairo, Nathan Yau, Edward Tufte, Ben Fry e Hans Rosling. Stefanie Posavec e Giorgia Lupi possuem projetos incríveis e publicaram o Dear Data. Para praticar, o Raw Graphs é uma ferramenta online simples e acessível.
Esse post foi originalmente postado no Medium do datavizbr e pode ser encontrado no link acima.