Hiperinfográficos e covid-19: modelos sofisticados nos jornais para a cobertura da pandemia

William R. Cordeiro

Por: William Robson Cordeiro

Uma das expressões mais utilizadas pelos especialistas, autoridades e a imprensa neste período de isolamento social trata-se do tal “crescimento” ou do “achatamento da curva” de vítimas da Covid-19. A pandemia é o tema de maior destaque da mídia brasileira e internacional nas últimas semanas. Ao lado do noticiário cotidiano, os infográficos acompanham, auxiliam e estão mais presentes, no intuito de transformar dados brutos em visualização sintética para a audiência.

São inúmeros os infográficos publicados nos jornais de referência, muitos em linha, outros tantos em barra ou do tipo megagráficos sobre o espraiamento global do vírus. A utilização da infografia neste período pode ser comparada à “revolução da infografia” da Guerra do Golfo, nos anos de 1990.

Os quatro estágios da infografia

Para compreendermos os tipos de infográficos que permeiam o jornalismo destes tempos: o primeiro, que são os infográficos lineares, de sequência estática; o segundo, no ambiente web, caracterizado pela multimidialidade; o terceiro, que se desdobra na infografia quando integrada a bases de dados; e, por fim, o quarto, que são os hiperinfográficos, modelos hipermidiáticos mais complexos e que incluem potencialidades imersivas.

A hiperinfografia são modelos ou conjunto de modelos de infográficos autônomos de alta capacidade expressiva e imersiva, disponíveis no ambiente hipermidiático. As propriedades morfológicas do hiperinfográfico são: síntese, interação, autonomia, hipermídia, imersão/visualidade estética e sincronia sintática.

Três exemplos de hiperinfografias sobre a pandemia

La Vanguardia (Espanha)

O jornal espanhol La Vanguardia lançou em 1 de abril de 2020 o hiperinfográfico “¿Qué debo hacer cuando regreso del supermercado?”. O trabalho propõe oferecer recomendações de como se proteger do coronavírus ao chegar em casa. O hiperinfográfico oferece estética em terceira dimensão que age motivada pela ação do usuário, partindo da interação mediante scrolling e leitura verticalizada.

Cena do hiperinfográfico do jornal La Vanguardia com recomendações de higienização ao chegar em casa

Hiperinfográfico do jornal La Vanguardia, da Espanha

The New York Times (Estados Unidos)

O New York Times traz o hiperinfográfico “How the Virus Got Out”, lançado em 22 de março de 2020, cuja ação interativa do usuário também é ativada por scrolling. O recurso utilizado para explicar as razões pelas quais as restrições de viagens não foram suficientes para conter o avanço do vírus pelo mundo são os modelos ubicativos e coropléticos, além das animações.

Cena do hiperinfográfico "How the Virus Got Out" do The New York Times, com mapa animado da disseminação do vírus

Exemplo de hiperinfográfico do jornal The New York Times

O Globo (Brasil)

“Números do Coronavírus no Brasil e no Mundo” é um minucioso detalhamento sobre as mortes e os casos de covid-19, atualizado diariamente a partir de base de dados dos governos federal e estaduais. O trabalho está disponível desde o dia 20 de março de 2020. Este modelo compila infomapas interativos, infográficos de barra e de linha.

Página do hiperinfográfico "Números do Coronavírus no Brasil e no Mundo" do jornal O Globo, com mapas e gráficos interativos

Apresentação do hiperinfográfico do jornal O Globo

Estes modelos demonstram como os jornais experimentam infografias de estágios variados, porém ousam positivamente nos modelos mais complexos, como as hiperinfografias, a fim de oferecer meios mais dinâmicos, atrativos e sofisticados para o usuário que busca informações sobre a pandemia.

Sobre o autor: William Robson Cordeiro é Doutor em Jornalismo pelo POSJOR/UFSC com estágio-sanduíche na Universitat Autònoma de Barcelona (UAB) e pesquisador do Núcleo de Estudos e Produção Hipermídia Aplicados ao Jornalismo (Nephi-Jor).


Esse post foi originalmente postado no Medium do datavizbr e pode ser encontrado no link acima.