Para onde ir? A falta de leitos diante do avanço da pandemia
A grandeza e a desigualdade parecem sempre coexistir em qualquer realidade brasileira. Na saúde não é diferente. O melhor exemplo atual disso é o desafio da disponibilidade de leitos hospitalares no cenário da pandemia de COVID-19. Em março deste ano, diversas instituições de pesquisa, como a Fiocruz, o Cedeplar e o IEPS, já alertavam não só para a escassez de leitos e equipamentos em diversas regiões do país, como, também, para a urgência da adoção de medidas de mitigação dos impactos da pandemia no sistema de saúde.
Em abril, o IBGE divulgou resultados preliminares da pesquisa REGIC (Regiões de Influência das Cidades) de 2018, com informações sobre os deslocamentos para serviços de saúde no país.
A REGIC é uma pesquisa sobre a hierarquização e regionalização dos centros urbanos brasileiros segundo sua zona de influência, e não era atualizada desde 2007. Em 2018, no que se refere à saúde, investigou-se quais seriam os municípios mais procurados pela população para serviços de baixa/média e alta complexidade.
Os resultados demonstram realidades bem diferentes em cada região. Enquanto nas regiões Sul e Sudeste os deslocamentos para os serviços de alta complexidade são, em média, de 100 km, na Norte e Centro-Oeste essa média sobe para 276 e 256 km, respectivamente.

Segundo o CNES, 91% dos municípios brasileiros não possuem leitos de UTI no SUS. Dos que possuem, a distribuição entre os Estados é desigual. No estado de São Paulo, 18% dos municípios possuem leitos de UTI públicos. Já em Amapá, Acre, Roraima e Amazonas, apenas as respectivas capitais possuem leitos.
Até o dia 10 de maio de 2020, 43% dos casos no Amazonas estavam concentrados em municípios sem leitos de UTI no SUS. No Piauí, essa proporção era de 32%. Já no estado de São Paulo, de 7%.
Em um exercício para visualizar o fluxo de eventuais deslocamentos de pacientes graves por COVID-19, considerando uma proporção de 5% de casos graves com origem em municípios sem leitos de UTI no SUS, fica evidente como várias capitais do Norte e Nordeste receberiam fluxos elevados e vindos de várias cidades. Considerando os casos confirmados até o dia 10 de maio, somente a cidade de Manaus receberia casos graves de 37 cidades, Fortaleza de 32, Belém de 29.

Por isso, é preciso reforçar que as medidas de isolamento social representam o caminho mais seguro para contermos o avanço da pandemia e pouparmos mais vidas. Se puder, fique em casa.
Esse post foi originalmente postado no Medium do datavizbr e pode ser encontrado no link acima.