Visualização de dados é o próximo desafio do design?

Rodrigo Medeiros

escrito por Stephanie Evergreen (tradução por Rodrigo Medeiros do datavizbr)

Os dados estão em todo lugar e o design é a chave para alavancá-los.

Eu sou uma nerd dos dados. Eu cresci profissionalmente fazendo palestras, criando pesquisas, coletando dados e tentando fazer com que as pessoas fizessem uso da análise e dos resultados dos mesmos. Então, um dia, percebi que ninguém prestaria atenção aos meus incríveis, maravilhosos e gloriosos dados se meus relatórios e apresentações fossem mal projetados. Então, casei-me com um designer gráfico e, juntos, pegamos as piores sinalizações dos restaurantes e tivemos discussões acaloradas sobre nuances dos tons de roxo. Eu também me tornei uma designer nerd.

Os nerds dos dados precisam dos designers

Hoje em dia, eu ensino os nerds dos dados como se tornar melhores designers e designers como se tornar melhores nerds dos dados. Aqui estão os padrões que vejo repetidas vezes:

  • Na pior das hipóteses, vejo os nerds dos dados que nunca trabalharam com um designer e o resultado da pilha de dados é tão desanimadora que somente os mais comprometidos irão lê-la para extrair insights significativos.
  • Em uma situação melhor, vejo relatórios lindos, projetados com layouts deslumbrantes e esquemas de cores atraentes — com todos os gráficos inseridos em um apêndice, claramente inseridos em um template de página e nem sequer tocados pelo designer.
  • Na melhor das hipóteses, vejo gráficos incorporados adequadamente em um relatório, história ou sites, com a aparência correta que corresponde ao restante do design, mas usando o tipo de gráfico incorreto, como um gráfico de pizza com dúzias de fatias.

Os nerds dos dados precisam de designers. Design é como criamos engajamento e ações espontâneas dos usuários. Mas os designers normalmente evitam uma compreensão mais profunda dos dados e como melhor apresentá-los.

O cenário dos dados/design

Programas tradicionais de gráficos como o Excel podem ser intimidadores. As ferramentas para gráficos no Adobe Illustrator e InDesign são, no máximo, medíocres, apenas capazes do mais simples dos tipos de gráfico. Ninguém ensina aos designers como visualizar dados.

Os programas de design não foram configurados para gráficos fáceis e de qualidade, provavelmente porque os designers tradicionalmente não são da turma de dados. Os usuários não exigiram grandes capacidades gráficas, por isso as empresas de software não criaram essa capacidade, e o ciclo apenas se repete.

Os negócios precisam dos designers

As organizações de hoje são orientadas por dados (data-driven). Todo mundo está procurando ser mais estratégico usando dados para embasar decisões de negócios. Esta é uma área que os designers não podem mais ignorar. A visualização de dados é o próximo desafio de design.

A necessidade do usuário

Nosso público se beneficiará ou sofrerá com base em nossa capacidade de comunicar dados com clareza. Você lembra da crise da chave de ignição da General Motors? Um problema com o interruptor de ignição faria com que o carro desligasse mesmo quando alguém o estivesse dirigindo e causou várias mortes. A questão foi trazida à atenção dos tomadores de decisão da GM, mas os slides que foram usados estavam cheios de gráficos de barras em 3D e não conseguiram transmitir um ponto claro. Essa falha em transmitir os dados leva a um entendimento obscuro, a ações insuficientes e, em última instância, à perda de vidas das pessoas.

Como ser um nerd dos dados

A maior parte do trabalho duro é simplesmente remover o design ruim de nossos gráficos-padrão e usar princípios de design familiares como unidade e proximidade para apresentar as informações de forma clara. Buscamos um ponto ideal, onde os dados sejam facilmente compreendidos e onde os designers e os nerds dos dados façam parcerias para criar visualizações atraentes dentro de histórias mais amplas que envolvam, informem e inspirem.

Quando unimos dados e design, reduzimos as falhas de comunicação e produzimos visuais que combinam o melhor dos dois mundos.

Obrigado Julia Giannella, Jessica Temporal, Pedro Barcelar e Deboráh Mesquita pelas dicas na tradução.


Esse post foi originalmente postado no Medium do datavizbr e pode ser encontrado no link acima.