Por que publicar na datavizbr?
Há alguns anos, em 2020, publiquei aqui no datavizbr o artigo Dez dicas para deixar sua visualização de dados mais acessível. O texto nasceu de uma necessidade muito prática: embora existissem diversos materiais sobre visualização de dados, havia pouca literatura reunindo recomendações claras para tornar gráficos, tabelas e mapas mais acessíveis.
Na época de sua publicação, fiz uma escolha consciente pelo datavizbr. Acreditava que este canal aumentaria as chances de o conteúdo chegar a quem efetivamente o utilizaria na ponta: profissionais de comunicação, designers, jornalistas, analistas de dados e servidores públicos. Minha preocupação central estava menos na circulação acadêmica do texto e muito mais no seu potencial de uso diário.
O tempo passou e os resultados provaram a força desta comunidade. Olhando para trás, é fascinante notar como o conhecimento, quando compartilhado no ecossistema certo, ganha vida própria.
O alcance do conteúdo na prática
Ao longo dos anos, o artigo passou a ser apropriado por diferentes canais e contextos. Essa trajetória evidencia o impacto real de discutirmos acessibilidade em visualização de dados abertamente:
- Comunidades Profissionais e de Prática: O conteúdo foi indicado na Biblioteca do Movimento Web Para Todos, que dissemina a acessibilidade digital. Também virou referência nas diretrizes de documentos acessíveis para sala de aula do Portal EduCapes e até tema de palestra online na Famous Friends, comunidade de usuários do Tableau. Mais notavelmente, foi referenciado na Cartilha Acessibilidade na Web do W3C, a comunidade internacional que desenvolve padrões para a web.
- Apoio ao Ensino e Formação: O artigo passou a capacitar novos profissionais, integrando o curso Aprendendo Visualização de Dados no LinkedIn Learning, ministrado por de Nathália Demetrio. No ambiente universitário, tornou-se parte das disciplinas do Master em Jornalismo de Dados e Storytelling e do Mestrado Profissional em Políticas Públicas, ambos do Insper.
- Políticas Públicas e Documentos Governamentais: O texto foi tema de palestra na Enap e alcançou documentos oficiais do Governo Federal, servindo de referência para a Cartilha de Acessibilidade gov.br e para o Padrão Digital de Governo, orientando desenvolvedores e designers de sites governamentais.
A lição para a nossa comunidade de Dataviz
Como profissional que atua com Gestão de Pesquisa, convivo com debates sobre como avaliar o impacto da produção intelectual além dos indicadores tradicionais (como citações acadêmicas), um movimento liderado por iniciativas como a DORA e o Manifesto de Leiden. Esses indicadores são ótimos para a ciência, mas dificilmente mostram quando uma pesquisa passa a orientar serviços públicos ou a apoiar a formação de profissionais no mercado de trabalho.
A natureza da minha publicação original e dos materiais que a citaram dificilmente apareceria em uma análise bibliométrica tradicional. No entanto, ao reconstruir essa trajetória, fica claro que o conhecimento produzido foi apropriado por diversas comunidades e passou a apoiar iniciativas reais de comunicação pública e acessibilidade digital.
Para nós, produtores e consumidores de visualização de dados, a grande reflexão é: onde publicamos importa. Plataformas colaborativas como o datavizbr têm o poder de extrapolar a bolha acadêmica e colocar metodologias aplicadas nas mãos de quem constrói a informação consumida pela sociedade.
Espero, com esse relato, incentivar cada colega leitor a também compartilhar suas práticas, códigos e descobertas em visualização de dados. O impacto do seu trabalho pode estar ajudando a construir painéis, cartilhas e políticas governamentais muito além do que as métricas conseguem medir.
Nota do curador: eu não pedi este texto. O Vinícius publicou aqui em 2020 e me escreveu seis anos depois para contar onde o artigo dele chegou — de uma cartilha do W3C a um padrão do governo federal. Achei que a história valia mais como relato dele do que como post meu.